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quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

82) Brasil, potencia mundial em 2020?


O Brasil vem sendo apontado, em diversos estudos prospectivos, como uma das potências mundiais dentro de mais alguns anos. Esses estudos, que tomam por base projeções quanto à população, produção de bens e serviços, participação no comércio mundial e contribuição para os fluxos mais dinâmicos dos intercâmbios internacionais (produtos culturais, finanças, conhecimento gerado pela pesquisa científica), apontam o Brasil, junto com outros grandes países em desenvolvimento, como Índia e Indonésia, como um dos países mais importantes em âmbito planetário, dando contribuições positivas para a paz e o progresso da humanidade.
De fato, o Brasil já é, hoje, uma grande economia, sendo o primeiro fornecedor mundial de uma série de produtos alimentícios e de recursos naturais, o que tende naturalmente a se ampliar nos anos à frente. Por outro lado, nossa exclusiva mistura racial e a excepcional convivência, em nosso país, dos mais diversos povos do mundo, sem distinções de qualquer espécie, convertem o Brasil em exemplo único de sociedade multirracial.
Podemos igualmente contribuir cada vez mais, e de fato já estamos contribuindo para a paz mundial, participando de operações de paz da Organização da Nações Unidas e ajudando no desenvolvimento de diversas nações africanas, que aliás nos deram a base de parte substancial de nossa atual população. Nossos cientistas, por outro lado, são plenamente capazes de não apenas acompanhar de perto os mais diferentes progressos das pesquisas de ponta no plano mundial, como também de contribuir para a inovação e de realizar descobertas científicas capazes de beneficiar a humanidade.
Tudo depende, é claro, de nós mesmos, de nossa própria capacidade de reforçar essas características positivas de nossa nação. A julgar, entretanto, pelas estatísitcas relativas a crescimento econômico, o Brasil tem ainda um grande esforço a fazer para se posicionar no pelotão de vanguarda da economia mundial. Nosso desempenho nos últimos anos, e provavelmente nas duas últimas décadas, tem sido próximo de pífio, e isso não se deve essencialmente a crises externas ou fatores internacionais adversos, e sim a nossa própria incapacidade de retomar o ritmo de crescimento sustentado.
Volto a mencionar os elementos principais das reformas que me parecem absolutamente indispensáveis para colocar o Brasil numa posição de maior destaque no cenário internacional. Observo, en passant, que todos os requisitos, mesmo o último, relativo à abertura internacional, são de ordem exclusivamente interna. Ou seja, todos os nossos problemas, obstáculos e limitações são "made in Brazil".

Lista de reformas para algum corajoso candidato a presidente:

1. Reforma política, a começar pela Constituição: seria útil uma “limpeza” nas excrescências indevidas da CF, deixando-a apenas com os princípios gerais, remetendo todo o resto para legislação complementar e regulatória. Operar diminuição drástica de todo o corpo legislativo em todos os níveis (federal, estadual e municipal), retirando um custo enorme que é pago pelos cidadãos; Proporcionalidade mista, com voto distrital em nível local e alguma representação por lista no plano nacional, preservando o caráter nacional dos partidos.

2. Reforma administrativa com diminuição radical do número de ministérios, e atribuições de diversas funções a agências reguladoras. Privatização dos grandes monstrengos públicos que ainda existem e são fontes de ineficiências e corrupção, no setor financeiro, energético, e outros; fim da estabilidade no serviço público.

3. Reforma econômica ampla, com diminuição da carga tributária e redução das despesas do Estado; aperto fiscal nos “criadores de despesas” irresponsáveis que são os legislativos e o judiciário; reforma microeconômica para criar um ambiente favorável ao investimento produtivo, ao lucro e para diminuir a sonegação e a evasão fiscal.

4. Reforma trabalhista radical, no sentido da flexibilização da legislação laboral, dando maior espaço às negociações diretas entre as partes; extinção da Justiça do Trabalho, que é uma fonte de criação e sustentação de conflitos; Retirada do imposto sindical, que alimenta sindicalistas profissionais, em geral corruptos.

5. Reforma educacional completa, com retirada do terceiro ciclo da responsabilidade do Estado e concessão de completa autonomia às universidades “públicas” (com transferência de recursos para pesquisa e projetos específicos, e os salários do pessoal remanescente, mas de outro modo fim do regime de dedicação exclusiva, que nada mais é do que um mito); concentração de recursos públicos nos dois primeiros níveis e no ensino técnico-profissional.

6. Abertura econômica e liberalização comercial, acolhimento do investimento estrangeiro e adesão a regimes proprietários mais avançados.

5 comentários:

Claudio Tellez disse...

Meu caro Paulo Roberto:

Eu acrescentaria um sétimo item: a volta dos lanterninhas às salas de cinema! Hehehe...

Brincadeiras à parte, é uma questão que me preocupa e que tem tudo a ver com Liberalismo. Aliás, é uma das mais fortes razões para o Liberalismo não funcionar no Brasil: as pessoas não conseguem assimilar o conceito de que "o direito de um termina onde começa o direito do outro", ou a "ética mínima para homens práticos" (para citar o título de um livro de Mário Guerreiro. Se não há respeito pelos semelhantes, não há espaço para a liberdade, e sim para a libertinagem e a barbárie.

Um forte abraço!
Claudio

Johnathan disse...

hehe de todos eu discordo um pouco, mais o item 5 é o pior de todos, nós os brasileiros já temos um pessimo nivel de produção cientifíca, e você sugere que acabe com a dedicação exclusiva, será o fim, já que no mundo todo o maior financiamento em pesquisa e governamental, talvez você esteja olhando o lado das áreas que não produz conhecimento cientifíco, como a sua, sem ofensas.

jrscast disse...

Muito interessante a abordagem da legislação e o custo implícito. Esse movimento o legislador já começou com a reforma no Código de Processo Civil, no processo de execução, aumentando as garantias ao credor. Mas há necessidade de mecanismos jurídicos mais simples e Judiciário mais célere.
Complementaria sua lista, com mecanismos mais eficientes de tributação. Diminuindo o efeito regressivo dos impostos indiretos. E incidindo a carga tributária efetivamente sobre a parcela mais rica da população, diminuindo sobre a parcela mais pobre. Se pegares uma estatística, descobrirá que há muita concentração de renda no Brasil e isso mudou pouco na História do Brasil. Apenas mecanismos de transferência de riqueza trariam o Brasil para o time dos países desenvolvidos!
Outra questão é a educação que é uma grande piada. Não apenas pela não valorização do professor, como ausência de metas. Ensino desvinculado da realidade. Etc.

Paulo R. de Almeida disse...

Meu caro jrscast,
Para o Brasil ingressar no clube dos desenvolvidos nao basta apenas transferir riqueza dos ricos, ou privilegiados, para os pobres, ou remediados, se isso significar atuar sobre um estoque determinado de riqueza e deixar os pobres exatamente como eles são, ou seja, mal dotados em educação e capacitacao profissional.
Ser rico significa ser produtivo, capacitado, e isso só se ontem com educaçao e construcao de uma sociedade de maior desempenho produtivo.
O caminho é um pouco mais dificil.
Paulo Roberto de Almeida

jrscast disse...

Prezado Paulo,

Antes de tudo parabéns por incentivar o debate de um tema tão importante. Gostaria de dizer que: talvez não tenha sido muito claro, mas foi no mesmo sentido, acredito que a transferência de riqueza deve ser feita com capacitação da população mais pobre. A Coréia do Sul foi um grande exemplo de capacitação com transferência de renda. Posso estar enganado, mas lá houve um grande incentivo no estudo de inglês e exatas. Sou muito crítico com a educação brasileira. Em um mundo que as informações triplicam a cada momento, formamos mão-de-obra preparada para o século XVII. Os alunos recebem informações prontas ! Aprendem a não contestar e a não criticar. Como esperar algo novo? Isso sem falar nos analfabetos funcionais!
Há dois grandes choques na vida do estudante. O primeiro é quando sai do 2 grau para Universidade. O segundo é da Universidade para o Mercado de Trabalho.
Não somos tão pragmáticos quanto o americano. O ensino é distante da realidade, sem aplicações na vida prática. Como o aluno poderia se interessar em aprender algo que não integra a sua realidade?