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domingo, 8 de janeiro de 2006

138) As time goes by... people change


Para quem acha que os republicanos, nos EUA, sempre foram a favor do livre-comércio e que os democratas sempre foram a favor de ações afirmativas, propondo tratamento mais favorável para os negros e outras minorias, não custa nada constatar que o mundo e as pessoas mudam.
Lendo hoje, 8 de janeiro de 2006, o The New York Times, vim a consultar o evento do dia, mas de 8 de Janeiro de 1918, quando o presidente Woodrow Wilson proclamou, em sessão conjunta do Congresso americano, os seus "14 pontos" para a paz na Europa, no contexto da Grande Guerra.
Selecionei apenas o trecho transcrito abaixo, que descreve o pavor dos republicanos a qualquer medida que pudesse estabelecer o livre-comércio nas relações econômicas internacionais, situação na qual os produtores americanos, e seus representantnes republicanos, temiam a concorrência dos produtos alemães, que eles acusavam de fazer dumping.

Do The New York Times, de 8 de Janeiro de 1918:
"Republican Fear Free Trade
The only real outspoken criticism came from Republicans who saw in one of the war aims specified by the President a declaration that would commit the Allies and their enemies to the establishment of free trade for all the world for a basis of peace. This condition of war stated by the President in these words: "The removal, so far as possible, of all economic barriers and the establishment of an equality of trade conditions among all the nations consenting to the peace and associating themselves for its maintenance."
If this meant an acceptance of the principle of free trade that would permit Germany as well as other nations to dump their products in American ports and bring them into competition with American production, the Republicans, it was asserted, would enter a vigorous protest and would not consent to any peace that included such a condition.
"

Também não custa nada lembrar, mas isso não está na matéria do NYT, que o presidente Wilson, considerado um internacionalista e um humanista exemplar -- ele foi o único presidente com doutoramento de toda a história dos EUA, tendo sido professor na Universidade de Princeton, no último terço do século XIX -- era, na verdade, um racista também exemplar, tendo sido responsável pela introdução de uma versao precoce do apartheid, estilo USA, no serviço público federal dos EUA, contribuindo para a disseminação ulterior, em muitas outras instâncias da vida social dos EUA, de um sistema de segregação que então vigorava apenas nos estados do Sul, uma tragédia que persistiu até os anos 1960, pelo menos.
Como regra de princípio, até a era Roosevelt, os racistas e segregacionistas eram os democratas, com os republicanos moderados esforçando-se para integrar os negros à vida civil e política da grande nação do hemisfério...
OS republicanos, por sua vez, sempre foram protecionistas e defensivos em matéria de política comercial, ao passo que os democratas eram mais liberais (não no sentido americano, ou pelo menos eram liberais europeus em matéria de comércio).
Em pouco mais de um século, as posições se inverteram completamente.
Em um país próximo do nosso, igualmente, tinha gente que denunciava o livre-comércio, pregava uma "ruptura econômica" e recomendava a denúncia de acordos com o FMI. Uma vez no poder, porém, ou até mesmo antes de assumi-lo, o discurso e as ações mudaram enormemente.
As time goes by...

Um comentário:

Mariano Tindaro disse...

Ministro,

Acho que o termo "apartheid" talvez não seja o mais adequado para descrever a segregação racial que ocorria nos EUA, uma vez que refere-se à segregação sul-africana, com suas peculiaridades. No entanto, isso é mero preciosismo meu. A "inversão" dos partidos Democrata e Republicano é uma história muito pouco conhecida, mesmo dentro dos EUA, e a história de como políticos como Nixon, Kennedy, Johnson e Goldwater transforamaram o seus próprios partidos e a dinâmica eleitoral americana nos anos 60 é uma que ainda tem muitas lições para nós...